
Gênero: HQ
Sinopse
Os roteiristas James Robinson e Geoff Johns conseguiram o que parecia impossível: transformaram o Gavião Negro, herói alado da DC Comics, de pesadelo editorial e dor de cabeça dos leitores, a sucesso de vendas com aventuras de tirar o fôlego. A confusão teve início com a reformulação do personagem após Crise nas Infinitas Terras, quando a versão da Era de Prata do herói, o policial thanagariano Katar Hol, foi reintroduzido na cronologia do Universo DC contrariando suas aparições anteriores. Cada tentativa de remediar a situação, incluindo o crossover Zero Hora, apenas a deixava pior. Isto até os responsáveis pelo renascimento da Sociedade da Justiça decidirem revigorar também o campeão dos céus, intento no qual foram bem-sucedidos.
Robinson e Johns aproveitaram os elementos mais importantes da mitologia do Gavião Negro, ignoraram os aditivos descartáveis e acrescentaram novos conflitos. O ponto mais lamentado pelos fãs foi a escolha do herói da Era de Ouro, Carter Hal, no lugar de seu sucessor, que desfrutou de maior popularidade com as histórias de John Ostrander e Timothy Truman. A história do oficial de Thanagar em missão na Terra ao lado de sua parceira teria mais apelo que a da reencarnação de um príncipe egípcio, acreditava-se. O material reunido em DC Especial 9 mostra que não é bem assim. O novo Gavião Negro possui lembranças de todas as suas encarnações anteriores, nas quais sempre consumou seu amor pela Mulher-Gavião e encontrou um final trágico pelas mãos de Hath-Set. Na encarnação atual, contudo, o sentimento pela sua alma-gêmea não é correspondido, e o vilão continua na ativa. Tem-se material para um drama de efeito.
Os dois grandes nomes entre os roteiristas da atualidade trabalhando com super-heróis são Brian Michael Bendis, na Marvel, e Geoff Johns, na DC; e cada um tem seu talento e características próprias. Em termos de diálogos, por exemplo, Bendis é insuperável. Johns, por outro lado, é mestre em usar elementos da cronologia a favor de suas histórias e fazer brilhar os mais obscuros personagens. Em Gavião Negro, ele prova que também é eficaz numa trama que lida com um relacionamento amoroso “eterno” e predestinação. Curiosamente, as cenas de ação, que costumam ser um ponto forte do autor, aparecem aqui como algo trivial e sem tanta potência se comparadas à exploração psicológica dos personagens e seu relacionamento. Vale mencionar a história dos heróis do Velho Oeste Falcão da Noite e Cinnamon, que abre a edição, e a participação do Eléktron, integrante da Liga da Justiça, na saga principal. Como de costume, o ilustrador Rags Morales, que esteve em evidência na minissérie Crise de Identidade, faz um belo trabalho.
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